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24/10/2017

A Força do Querer vs O Outro Lado do Paraíso


A Força do Querer terminou sexta-feira e segunda-feira, mais conhecida como ontem estreou O Outro Lado do Paraíso. O que as duas novelas tem em comum além do fato de serem no mesmo horário? São grandes novelões, desses que a gente já não via há muito tempo. Melodrama mesmo. 

Ok, a novela do Walcyr Carrasco acabou de estrear, mas pelas chamadas e pelo capítulo exibido, dá pra perceber bem que vai ter muito drama pela frente com a história da moça provinciana que se encanta pelo moço rico e que sofrerá nas mãos dele e da sogra que só ta de olho nas terras cheias de esmeraldas da mocinha que não sabe de nada, óbvio.

A Globo parece que enfim aprendeu a lição que experimentar num gênero como telenovela não dá. O povo gosta mesmo é do feijão com arroz e esses laboratórios servem mais para séries ou minisséries que são obras fechadas, aonde o autor pode moldar melhor as características dos personagens. Se é pra ousar que seja na direção.

Glória Perez usou em A Força do Querer temas fortes, mas soube trabalhar todos eles porque estavam inseridos dentro do gênero. Sem firulas. Além disso os personagens tinham carisma suficiente para que o público simpatizasse, torcesse e se identificasse. Com um elenco supimpa (ok, Fiuk não conta), uma direção ágil e um texto inspirado, ela devia algo bom assim desde O Clone. Caminho das Índias foi apenas ok, o que salvou mesmo foi a exótica trama indiana e Salve Jorge foi uó.

Agora vemos estrear essa novela de Walcyr Carrasco que pode até errar com seu texto extremamente didático, mas acerta ao alcançar o público por conhecer bem o que ele quer ver. Normalmente a crítica torce o nariz pra ele, mas não podemos esquecer que a critica brasileira tem aquele complexo terceiro mundista de se achar pobre sempre, né? Dispenso.

No mais, A Força do Querer deixará saudades e cabe a O Outro Lado do Paraíso repetir o sucesso e deixar aquela pergunta no ar, qual foi a novela anterior mesmo? Uma tarefa quase impossível, aliás.


19/09/2017

Product Placement nas novelas A Força do Querer e Pega Pega

Um caso muito bacana de Product Placement aconteceu recentemente em duas novelas da TV Globo. No capítulo da última sexta-feira, 15, em A Força do Querer os personagens Dantas (Edson Celulari) e Cibele (Bruna Linzmeyer) foram fazer compras no Carioca Palace, cenário principal da novela Pega Pega. Foi interessante observar os personagens comprando uma camisa da Dudalina sendo recepcionados por Douglas (Guilherme Weber), personagem de Pega Pega. 

Normalmente ações de Product Placement são muito mal feitas em novelas, perdem a sutileza, o principal fator desta estratégia existir. Contudo este crossover, a ideia de utilizar o personagem de uma novela em outra, funcionou muito bem. 

Não é a primeira vez que um personagem de uma novela aparece em outra, mas não eram ações de Product Placement. Quem sabe agora percebam a importância desta estratégia nas novelas que sempre acabam parecendo muito mais merchandising editorial porque interrompem a narrativa da história. 

29/08/2017

A Força do Querer: personagens sem história na novela das nove mais legal dos últimos tempos


A gente fala de cinema aqui, mas abre espaço pra TV também, porque não? E aproveitando o sucesso que é a novela A Força do Querer não podíamos deixar passar. A história é boa pra caramba e isso todo mundo já percebeu, né? Glória Perez tirou o horário das nove das trevas com uma trama folhetinesca, ousada, que tem agrado a gregos e troianos. Contudo é difícil conquistar a todos (ela bem sabe disso) até mesmo num elenco recheado de grandes atuações com personagens que deixarão saudades quando a novela acabar. Alguns não. São aqueles que não tem função nenhuma a não ser servirem de ombro amigo ou apenas de interlocutores para os personagens principais terem com quem conversar. Claro que toda novela tem personagens assim, mas quando bem trabalhados podem ter uma função maior na trama e ganhar espaço. Todavia, parece que A Força do Querer exagerou na dose, alguns são tão pequenos que nem precisariam estar na novela. Vamos conferir?


Simone/Juliana Paiva 
Juliana Paiva é uma boa atriz, mas aqui vemos seu talento desperdiçado. Sua personagem não namora, não trepa e ainda tem uma mãe viciada e um pai que é um poço de preconceitos, com tudo isso seria interessante se a autora tivesse trabalhado todo o drama de Simone ao invés de deixar ela passar a novela toda servindo apenas de ombro amigo da prima Ivana.


Cibele/Bruna Linzmeyer 
Essa aqui vive um momento triste. A moça até tinha uma história para chamar de sua no começo da novela. Era a noiva apaixonada de Ruy que quando se descobriu traída fez todo o tipo de vingança mequetrefe. Nada deu certo, só ela que ficou com o nome queimado e com o passar do tempo a personagem acabou sem ter o que fazer e muito menos o que dizer.

Dantas/Edson Celulari
Ele não tem história nenhuma, mas circula por diferentes núcleos, Fico me perguntando se um ator do calibre de Edson Celulari seria o ideal para um personagem sem grandes expectativas.

Shirley/Michelle Martins
A namorada/esposa de Dantas. Seu único grande momento na novela até agora foi brigar com ele e levar a TV.


Amaro/Pedro Nercessian
O melhor amigo de Ruy tem a mesma função dos outros personagens citados: servir de ombro amigo para que o outro tenha com quem conversar durante a novela. Fora isso, Amaro não faz mais nada! Ops, esqueci, no capitulo do dia 28 ele teve a dura missão de ir pegar o carro de Eugênio nas mãos de Irene. Ooooh..

Anita/Lua Blanco
A melhor amiga da Cibele foi quem mais se ferrou nessa história desde que a personagem de Bruna Linzmeyer perdeu o foco na trama.  A garota acabou ficando numa espécie de limbo, mais perdida que Kátia Cega em tiroteio e, quem sabe, talvez esteja esperando um revival de Rebelde.


Leila/Lucy Ramos
Parece que a moça entrou na novela só pra acabar com a solteirice convicta do Caio e a desculpa pra terminar o casamento só colou porque ninguém lembrava que ela existia mesmo.


Tatu/Bruno Barbosa
Esse é tão coadjuvante que eu diria que é mais uma figuração do que um coadjuvante mesmo. Difícil foi achar alguma foto decente dele na novela. A melhorzinha foi a de divulgação. Pense! 

Junqueira/João Camargo
O marido de Heleninha, pai de Yuri, cunhado de Caio. Sua participação na trama é tão importante que ele nem tem nome próprio.


Marilda/Dandara Mariana
A personagem em si poderia ter sido um coringa se a autora se tivesse explorado a veia cômica da atriz, mas Marilda é mais uma que não acrescenta em nada.

Guto/Antônio Carlos aka Mussunzinho
Esse entrou somente para falar dos benefícios do Santander, claro. A estratégia aqui é tão óbvia que passa longe da premissa do que conhecemos como Product Placement, funcionando muito mais como um Merchandising Editorial  por interromper a narrativa, fugir da sutileza e estampar a propaganda do banco. Em tempo, o ator também é figurinha tarimbada nas tramas de Glória Perez.


Allan/Raul Gazolla
É de se estranhar que o técnico de Jeiza (um homem desses, bicho) não desperte atração por ninguém na novela. Como assim? No começo Dona Coisinha (Zezé Polessa) até se engraçou, mas não rolou. 

Demais considerações. Como bem disse meu amigo Edgarus Orae, alguém deve ter criado alguma espécie de cota para negros nessa novela. Infelizmente eles não têm tido oportunidade, estão todos ali, mas sem ter o que fazer, apenas balançando as cabeças e concordando com o que os outros dizem ou fazendo cara de preocupação perante algum problema. A única exceção que tinha de fato alguma história para contar foi o boy magia do Sabiá, mas não era lá uma grande história, tanto que após ele ser baleado não apareceu mais. Uma pena. #VoltaSabiá

E aí pessoal, o que acharam? Faltou alguém? Fui muito malvado? Espero que tenham curtido este post e se conheceram o blog apenas agora, deem uma conferida em outros posts, bacanas como esse, que eu vou adorar. Beijos.

A Voz Suprema do Blues

Viola Davis é uma atriz do mesmo quilate de Meryl Streep. Infelizmente ainda não é tão reconhecida ou tão bem paga quanto (a bem da verdade ...